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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Que serei?

Neste início de ano, gosto sempre de aproveitar para pôr algumas coisas em ordem na casa e deitar fora o que não interessa, actividade em que me tornei especialista. Nem livros e revistas escapam, porque embora possa parecer um sacrilégio, considero que acumular livros que não voltaremos a ler é tão mau, como guardar outra coisa qualquer de que não precisamos. 
Gosto muito de ler e já fui uma devoradora de livros. Agora leio menos, infelizmente, porque não consigo deixar um livro a meio para ir fazer outra coisa, como trabalhar, por exemplo... Assim que começo, tenho de acabar. Nunca percebi as pessoas que têm quatro livros na mesa de cabeceira e leêm todos ao mesmo tempo. Como conseguem? Para mim, um livro é um mergulhar numa história que não se compadece com pausas e interrupções prolongadas. 
Apesar deste gosto pela leitura, há livros em que sei que não vou voltar a pegar, por muito que tenha gostado deles, não são para repetir. Então... porque guardá-los? Como em tudo o resto que implica arrumação, tenho um espaço reservado para cada coisa e não o excedo. Não vou comprar mais uma cómoda para arrumar mais roupa ou mais um armário para louças, ou mais uma estante para livros. Depois de definido o espaço que me parece adequado, vou gerindo o que entra de novo com o que me obrigo a dispensar. A parte boa é que cada vez sinto que preciso de menos coisas e isso dá uma sensação de leveza que sabe bem. 
Continuando com a minha arrumação dos livros, resolvi mostrar-vos uma página deste, que nunca deitarei fora. Chama-se "Que serei quando for crescido?" e é uma edição de 1975 da Livraria Bertrand:


É do tempo, em que não tinhamos emissão de televisão o dia todo e computadores... só mesmo os do Espaço 1999, por isso, depois da escola, só nos restava ler. Nestas páginas, escolhi a minha profissão. Depois de lidas e relidas as 177 páginas com toda a atenção e postos de parte ofícios tão nobres como o de Montador de Estruturas Metálicas, Engenheiro Ferroviário, Técnico Atómico ou até mesmo Fabricante de Perucas, a minha escolha recaiu sobre a página 151. Mas por muito que eu gostasse de desenhar e pintar, o que eu ambicionava mesmo na profissão de Ilustrador, era que a minha curta cabeleira escura e encaracolada se transformasse num longo cabelo louro e liso. Afinal... o mundo do trabalho ficava tão longínquo como essa possibilidade.

2 comentários:

  1. Gostei de saber sobre onde começou tua história profissional, muito lindo...a minha começou meio por acaso mas se tivesse que escolher por certo seria arquiteta novamente.
    Quanto à casa estou num estágio parecido com o teu, só guardo mesmo lembranças muito queridas...de resto divido o que tenho com outras pessoas...em 2010 fiz doação de quase todos os meus livros para a biblioteca do colégio que meu filho estudava...acho que terão mais uso por lá.
    Bjos e um ótimo ano.
    Sílvia

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  2. :) eu também tenho essa tarefa todos os anos e fico pasmada como conseguimos acumular tanta coisa!!!Só guardo o que realmente é importante para mim e para a família:)
    Esse teu livro é uma relíquia:)

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