Neste início de ano, gosto sempre de aproveitar para pôr algumas coisas em ordem na casa e deitar fora o que não interessa, actividade em que me tornei especialista. Nem livros e revistas escapam, porque embora possa parecer um sacrilégio, considero que acumular livros que não voltaremos a ler é tão mau, como guardar outra coisa qualquer de que não precisamos.
Gosto muito de ler e já fui uma devoradora de livros. Agora leio menos, infelizmente, porque não consigo deixar um livro a meio para ir fazer outra coisa, como trabalhar, por exemplo... Assim que começo, tenho de acabar. Nunca percebi as pessoas que têm quatro livros na mesa de cabeceira e leêm todos ao mesmo tempo. Como conseguem? Para mim, um livro é um mergulhar numa história que não se compadece com pausas e interrupções prolongadas.
Apesar deste gosto pela leitura, há livros em que sei que não vou voltar a pegar, por muito que tenha gostado deles, não são para repetir. Então... porque guardá-los? Como em tudo o resto que implica arrumação, tenho um espaço reservado para cada coisa e não o excedo. Não vou comprar mais uma cómoda para arrumar mais roupa ou mais um armário para louças, ou mais uma estante para livros. Depois de definido o espaço que me parece adequado, vou gerindo o que entra de novo com o que me obrigo a dispensar. A parte boa é que cada vez sinto que preciso de menos coisas e isso dá uma sensação de leveza que sabe bem.
Continuando com a minha arrumação dos livros, resolvi mostrar-vos uma página deste, que nunca deitarei fora. Chama-se "Que serei quando for crescido?" e é uma edição de 1975 da Livraria Bertrand:
É do tempo, em que não tinhamos emissão
de televisão o dia todo e computadores... só mesmo os do Espaço 1999, por isso, depois da escola, só
nos restava ler. Nestas páginas, escolhi a minha profissão. Depois de lidas e relidas as 177 páginas com toda a atenção e postos de parte ofícios tão nobres como o de Montador de Estruturas Metálicas, Engenheiro Ferroviário, Técnico Atómico ou até mesmo Fabricante de Perucas, a minha escolha recaiu sobre a página 151. Mas por muito que eu gostasse de desenhar e pintar, o que eu ambicionava mesmo na profissão de Ilustrador, era que a minha curta cabeleira escura e encaracolada se transformasse num longo cabelo louro e liso. Afinal... o mundo do trabalho ficava tão longínquo como essa possibilidade.

Gostei de saber sobre onde começou tua história profissional, muito lindo...a minha começou meio por acaso mas se tivesse que escolher por certo seria arquiteta novamente.
ResponderEliminarQuanto à casa estou num estágio parecido com o teu, só guardo mesmo lembranças muito queridas...de resto divido o que tenho com outras pessoas...em 2010 fiz doação de quase todos os meus livros para a biblioteca do colégio que meu filho estudava...acho que terão mais uso por lá.
Bjos e um ótimo ano.
Sílvia
:) eu também tenho essa tarefa todos os anos e fico pasmada como conseguimos acumular tanta coisa!!!Só guardo o que realmente é importante para mim e para a família:)
ResponderEliminarEsse teu livro é uma relíquia:)